Caminhos de Santiago 2009/2010

Paróquias de São Salvador de Carregosa e São João de Vila Cova de Perrinho

Testemunhos – 2.º dia

e tu fizeste que eu nascesse

em sol que desponta

e a aurora acontecesse no meu dizer

agora seus raios quero

sempre num cobrir

o que ainda é sentimento

e amanhã será fazer

porque eu nasci e nasço

quando descubro o amor

que atravessou os vales da desolação

veio até aqui, sim aqui

onde nada havia

e o deserto que era eufemismo do meu vazio

de tudo se faz desaparecer

em quem celebra o seu Natal

quando num me faz nascer

Padre Artur Pinto

Esta foi uma etapa um pouco diferente das outras uma vez que fizemos a maior parte do caminho sozinho. Assim, consegui superar as minhas expectativas, uma vez que a uma determinada altura alcancei um ritmo bastante elevado. Deu para perceber então que se conseguirmos ter concentração e se tivermos cabeça em tudo aquilo que fazemos, conseguimos, apesar do esforço, alcançar os nossos objectivos. Momentos de natureza fascinantes.

Simão Rocha

Hoje senti a dificuldade de continuar o caminho: apenas pensava nas dores e em todos os problemas da vida, não me conseguia concentrar, apesar das belas paisagens com que nos deparamos.

Joana Brandão

A etapa de hoje foi mais pequena, caminhamos durante algumas horas sozinhos, e concentrados num exercício de reflexão fez com que os km fossem passando e as dores não viessem ao pensamento. Foi uma caminhada dura porque caminhamos quase sempre em alcatrão. Depois entramos na cidade de oureense, onde já cansados chegam ao albergue.

Rezamos o terço, e no final da noite fizemos a celebração.

Amanha é outro dia.

Pedro Portela

A segunda etapa foi um pouco dolorosa. Foi dolorosa porque a primeira etapa originou algumas mazelas pequenas mas que se podem sentir nesta etapa. A etapa foi interessante porque a maior parte do nosso tempo e trajecto tivemos “sozinhos”. Esse tempo foi muito importante para mim. Foi importante para mim porque ai dei valor a muitos aspectos. Os aspectos foram a solidão, espírito de sacrifício, a natureza e o consumismo dos nossos dias, e o trabalhar um pouco a concentração. No final da etapa existiu muito cansaço, mas existiu um ponto fundamental que foi ajuda da pessoa que estava ao nosso lado, e o incentivo que tinha para terminar a etapa. De minha parte não tenho mais nada a dizer.

Diogo Correia

Esta segunda etapa foi um pouco dura com algumas dores e dificuldades, não pelas suas características, mas pela dificuldade de levar as dores de ontem. A vida também é assim, o difícil não é caminhar para o Amor quando queremos, quando nos dispomos a amar e sermos amados. Difícil é termos um horizonte, uma meta onde queremos chegar e para alcançarmos este horizonte é preciso sofrer, as feridas vão aparecendo e o caminho deve ser feito sempre com o nosso horizonte que é Deus.

Joana Pereira

Neste segundo dia de Caminho iniciamos praticamente com um exercício de concentração que consiste em o fazermos sózinhos tentando, numa primeira fase, abster-nos do que nos rodeia e apenas ouvir, ver e sentir o nosso corpo e a nossa alma e depois então, não perdendo a primeira, absorver também o ambiente à nossa volta. Nestes momentos, como em muitos outros, São Tomé e Príncipe marca passo em mim e as dores esquecem-se e os quilometros rendem. Foi uma etapa apenas de 22 Km e acabamos por chegar ao albergue a meio da tarde. Entramos na cidade de Ourense e demos por nós envolvidos nas fragâncias do consumismo, na poluição visual, sonora e ambiental. De um dia marcado pela concentração em nós, demos connosco a falar de automóveis e outros bens materiais.

O saldo desta etapa: Esta sociedade consome-nos a alma, e é muito difícil evitá-lo, a não ser que trabalhemos a nossa concentração a um nível muito superior que se baseie em valores, que se baseie em paz e harmonia…

José Augusto

Nos primeiros 10km, fomos sozinhos quase todo o caminho e foi uma experiência espectacular. No inicio procurei respirar a um ritmo certo e consegui faze-lo, procurei uma frase que acompanha-se esse ritmo. Assim, envolvida nesta oração, as dores dissipavam-se, e havia espaço para contemplar a natureza. Mas as dores nas pernas e nos pés foram aumentando, mas o grupo ajudou-me muito. Só o facto de saber que o outro está ali é um conforto muito grande, mas também uma grande responsabilidade, a de não prejudicar a sua caminhada. O dia de hoje foi a prova de que, só simplesmente acreditando em Deus, é possível ultrapassar a dor com um sorriso no rosto.

Catarina Oliveira

Hoje tivemos um dia com pouca chuva, algum sol, algum vento, menos Kms (22) e com as mazelas do primeiro dia.

Uma caminhada feita, grande parte em reflexão, silêncio, no encontro com Deus.

O final da caminhada foi a dar animo aos que se sentiam cansados mas não desanimados.

A chegada a Ourense alterou a forma da caminhada porque entramos numa cidade grande com muito movimento e barulho. A partir daí, e com a chegada ao albergue pelas 15,30 horas o silêncio da natureza desapareceu e ficou a tentativa de perceber porque em circunstâncias diferentes nós nos sentimos diferentes e incapazes de estarmos só nós e Deus.

Anabela Almeida

Esta etapa para mim parecia ser mais difícil pois na primeira etapa senti muitas dificuldades, mas não foi assim tão difícil pois era uma etapa muito mais fácil. Aqui tentei respirar de acordo com os batimentos do coração, é um pouco difícil mas com a prática consegue-se e é mais fácil de caminhar e de nos concentrarmos para caminhar mais depressa.

Ricado Almeida

Depois de uma difícil etapa, já com algumas sequelas, retomamos o caminho. Desta vez com uma nova dificuldade: a de caminharmos sozinhos. Revelou-se realmente difícil fazê-lo pois somos invadidos por um turbilhão de coisas que nos inunda o pensamento e de sentimentos que constringem o coração. Mas, quando nos concentramos e ouvimos o bater do nosso coração, sentimos o ritmo da respiração e deixamo-nos absorver pelos sons e aromas da natureza, tudo se torna mais fácil, e as dores, essas parecem abandonar-nos.

Patrícia Costa

O caminho é como o oleiro: molda quem vai caminhando…

Mais uma etapa! O cansaço e as dores começam a atingir não só o corpo: há que pensar, há que reflectir para não sentir! E foi assim que fui redescobrindo o meu “eu”, reflectindo sobre mim, sobre Ti, a minha vida, as “minhas” pessoas…

Carla Santos

As dores que se faziam sentir não impediram que esta etapa corre-se de uma forma eficiente. Desta vez, caminhando individualmente, evidenciou a concentração em cada um, o que nos fez avançar nesta caminhada como se esta fosse a primeira. Não foi uma etapa com tantos obstáculos. Muito alcatroada e a terminar no centro de uma cidade, muito activa, onde agora estamos instalados

Marcelo Bastos


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